Stage Dive, Monkey Dive ou Side Mount?

Você deve estar se perguntando, o que Stage dive e Monkey dive tem a ver com o side mount e o que esses termos realmente significam, certo?

Toda essa discussão começa movida pelo “boom” do side mount, que repentinamente tornou-se a “reinvenção da roda”, como uma espécie de moda que tem quer aproveitada a qualquer custo. Por isso, a abordagem vem sendo como a de uma simples especialidade, que não demanda nada mais nada menos, do que o aluno pendurar os cilindros do lado do corpo.
Não bastando, a comercialização já está banalizada, sim, pois tem website anunciando que os equipamentos necessários para o aluno fazer o curso são: “1 colete tipo asa ou back plate, 2 reguladores e uma mangueira longa”. Opa! Como assim? O aluno precisa de um back plate ou um colete tipo asa, para side mount? Dois reguladores e uma mangueira longa? E todo o resto do equipamento, fitas, mosquetões, mini HPs e etc? Não precisa?Infelizmente, o equipamento supra citado não é adequado para o mergulho em side mount, logo, nesse caso, o que o aluno aprenderá é o que a tradução sugere, “montar lateralmente” e pronto, mais um “stage diver” “formado”.

Para entendermos todo o processo vamos voltar um pouco no passado e na sequência definir “stage dive e monkey dive.”
O mergulho em side mount por si só é bem antigo, foi iniciado na década de 60 e até meados de 2008 foi privilégio de “caverneiros” muito experientes.

A partir de 2009, começou a ganhar força entre os mergulhadores chamados “recreativo” e que só podiam fazer os cursos de side mount com instrutores muito experientes, que tinham seu próprio curso aprovado e autorizado para ensino por sua certificadora, pois a mesma, ainda não disponibilizava o “side” de forma curricular ou tinham que fazer com um instrutor de outra agência que não a PADI. Dessa forma, pouquíssimos eram os instrutores capacitados para ensinar a modalidade e os que ensinavam eram realmente experientes.

Com o aumento da popularidade, as maiores certificadoras de mergulho do mundo, entre os anos de 2012/2013, decidiram liberar o ensino do curso de side mount open water, colocando-o em suas grades curriculares e permitindo que qualquer instrutor se tornasse um instrutor de side mount.

Atenção! Não é porque um instrutor tem muita experiência em um área, por exemplo naufrágio ou Tec que ele também vai ter em outra, por exemplo em side mount ou busca e recuperação.

A comparação é simples, seria a mesma coisa que pedir para o Pitangui (um dos maiores cirurgiões estéticos do país) fazer um parto ou operar um joelho, por exemplo. A chance de algo dar errado é muito grande! Por mais que ele seja cirurgião e tenha uma vasta experiência em estética não sabe muita coisa ou até mesmo nada de parto ou joelho.
No side mount está acontecendo exatamente isso, instrutores com experiência em outras áreas, mas que ainda não tem experiência nenhuma na configuração, dando curso de side mount e o pior, simplesmente como sendo apenas mais um curso super simples.

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Aluno em treinamento, com o uso proposital do cilindro para o alto.

Resultado, as falhas no ensino geram uma configuração incorreta dos cilindros de side mount, fazendo com que os mesmos fiquem iguais a um stage ou monkey, pendurados ao lado do corpo de cabeça para baixo, assim sendo o “side” já começa a ser visto de modo pejorativo. Como consequência, algumas pessoas já estão fazendo comentários em redes sociais dizendo que, o que estão vendo por ai não é side mount, mas nada mais nada menos, do que “Stage Divers” e “Monkey diveres”.
Entendendo os termos “STAGE” e “MONKEY DIVE” e suas consequências quando em side mount:
“Stage”, surgiu da necessidade de posicionar diversos cilindros ao logo de um percurso (estágios) para serem utilizados em determinadas partes do mesmo mergulho, sendo recolhidos e levados embora junto com o mergulhador ao final do mesmo. Esse tipo mergulho criando “stages” (estágios) é vastamente utilizado em cavernas com longos percursos.

Em águas abertas, normalmente o que mais vemos são os mergulhadores Tec, levando seus gases de descompressão (stages) pendurados ao lado do corpo durante todo mergulho para serem utilizados em determinados estágios da descompressão. Por conta disso, a associação ficou quase que natural. Logo, hoje em dia quando olhamos um cilindro pendurado de cabeça para baixo do lado do corpo de um mergulhador pensamos: “lá vai alguém com um “stage” pendurado”.
Monkey dive, é um tipo de mergulho com um cilindro somente, onde os mergulhadores prendem a parte do gargalo no d’ring do ombro, ficando o cilindro pendurado de cabeça para baixo ao lado do corpo do mergulhador, não demanda qualquer configuração. Não bastando, muitas vezes é comum encontrar mergulhadores somente com o cilindro abraçado de baixo do braço.

Tanto no uso de “stage” quanto no “monkey dive”, os cilindros ficam literalmente pendurados de cabeça para baixo na lateral, sem a preocupação com alinhamento.

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Algumas imagens de internt, mostrando cilindros de diversos mergulhadores parecendo “stage”.

Conclusão, com a péssima técnica de configuração oferecida e vista por ai juntamente com a falta de treinamento, os mergulhadores de side mout estão sendo confundidos com “stage divers” e “monkey divers”, pois, geralmente o que estão aprendendo é pendurar os cilindros ao lado do corpo e não configurá-los adequadamente.

Algumas consequências da má configuração:
1 – Arrasto
Uma das características do side mount é o conforto. Logo, o aumento de arrasto não é nada bem-vindo.
Ao transferirmos nossos cilindros das costas para o lado acabamos, naturalmente, criando um arrasto maior, pois crescemos muito lateralmente. Com um cilindro mal configurado (pendurado lateralmente de ponta cabeça), o arrasto comentado anteriormente irá aumentar de forma considerável, pois dessa forma teremos a resistência lateral somada a resistência vertical (da parte do cilindro que está para o alto), gerando um efeito hidrodinâmico muito indesejável. Como consequência teremos: o aumento do consumo, cansaço, fadiga na natação e etc.
2 – Colapsos ou aprisionamento.
O cilindro mal configurado em ambientes com teto torna-se perigoso por duas razões:
2.1 -A parte do cilindro que está para o alto pode tocar no teto fazendo com que haja colapso de algo ou danificando formações naturais que levaram anos para atingir um determinado estágio.
2.2 – A parte do cilindro que está para o alto pode se tornar um empecilho para que você se mova dentro de um ambiente com teto, não permitindo que você se locomova para trás por exemplo, agindo como um anzol, ou seja, você só consegue ir para frente pois para trás você fica preso. Por mais que existam técnicas para aprender sair dessa situação, não é nada agradável passar por uma.
3 – Perda do Cilindro
Como normalmente é feito com um cilindro somente, no Monkey dive, temos dois possíveis problemas:
1 –Cilindro preso de forma incorreta ou lugar incorreto, pode soltar-se e puxar o regulador da boca do mergulhador.
2 – Sendo carregado abraçado, maior ainda o risco de acidentalmente o cilindro se soltar do mergulhador e com isso puxar o regulador junto.

Infelizmente esses termos estão causando uma impressão negativa e denegrindo a eficiência do uso do side mount. Portanto, pesquise bem antes de procurar seu instrutor de side mount, questione sua experiência prévia com essa especialidade, quantos alunos ele já formou, se ele já teve um curso próprio aprovado pela certificadora, se ele filma seus alunos, se tem trabalho publicado, quantos mergulhos ele tem na configuração (procure um instrutor com no mínimo 300 mergulhos em side mount).

Não se deixe levar somente por possíveis títulos que um instrutor possa carregar, o que realmente importa é a experiência prévia que ele tem no assunto!

Como muitos sabem, fui um dos precursores do mergulho em side mount no Brasil, lutei desde de 2009 para que a especialidade fosse aceita e se tornasse popular no mundo recreativo, por isso, eu afirmo que, hoje em dia, ainda são poucos os instrutores no Brasil que realmente tem grande experiência com o uso dessa configuração, porém acredito que após um período de maturação de mais uns dois anos teremos ótimos instrutores da modalidade espalhados pelo nosso país!

Rodrigo Neuenschwander
Master Instructor
Side Mount Instructor desde 2009/2010
Tec Side mount Instructor
TEC instructor

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